Porque os desalinhados também têm coração

160 x 30 x 8 cm cada ancinho

3 ancinhos de ferro dispostos no espaço, carvão vegetal e carvão moído

Até os tempos não mais serem interditos

livro de artista 33 x 48,3 x 0,8 cm  |  boião 5 x 5 x 7 cm

livro de capa dura contendo poemas raspados sobre papel. boião de vidro com os resíduos raspados. Audio da ação de raspagem em coluna de som.

Há coisas que ficam por dizer, por mostrar. E um livro em branco está ferido, cirurgicamente amputado da palavra. Na desenfreada presença da linguagem, legibilidade, visibilidade, acessibilidade, atomização, reflete-se sobre a interdição do tempo e sobre o que há de comunicante e narrativo no velado, censurado ou raspado. O que não se lê em vestígios torna-se elemento comunicante.

Na ambivalência da palavra cultura, toca-se no tempo de pousio-paragem-distância-respiro, rega ou colheita. Ancinhos são corpos-vida, corpos-percursos, corpos-(des)encontros. Sedentos por cultivar, comunicam em vestígios e desaparecimentos. Num enublado ilegível e relacional, somos dissidentes, rasgos pesados de breu, apagando-se na vagareza do horizonte.

Filipa Cruz
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